LÁGRIMAS DERRAMADAS por Jeff Severino

Jefferson Severino - 22/09/2017 SC 01571 JP

LÁGRIMAS DERRAMADAS
por Jeff Severino

 

Lágrimas derramadas por outra pessoa não são um sinal de fraqueza; elas são um sinal de um coração puro, amoroso. É uma questão de perspectiva. E perspectiva é tudo em momentos como este. 

Todos nós sabemos bem lá no fundo fundo que a vida é curta, fugaz, que a morte do corpo vai chegar a qualquer momento. No entando nós ficamos infinitamente chocados quando isso acontece com alguém que amamos. É como subir um lance de escadas com a mente distraída e menosprezar a etapa final. Nós esperávamos mais um degrau que não tinha, isto é, esperávamos que teríamos mais tempo para amar, pedir desculpas, perdoar, voltar atrás, mas infelizmente é tarde demais, perdemos o equilíbrio, caímos na real, e a nossa mente volta para o momento presente, mostrando a realidade da vida, que é extremamente fugaz.

Nos damos conta que perdemos tempo não valorizando o que temos e supervalorizando o que não temos. Perdemos um tempo inestimável em frente o espelho "arrumando" a nossa aparência externa e nos esquecemos fundamentalmente da nossa aparência interna. 

Valorizamos a roupa de marca, o carro, o perfume, nos arrumamos para os outros e esquecemos da nossa beleza interna. Do nosso EU.

Nos damos conta de tudo isso da pior maneira possível. Quando a morte do corpo passa muito próximo da gente. É a má notícia que nós nunca gostamos de receber e que muita gente não supera. 

No entanto, olhando de uma outra maneira, muito mais positiva, devemos entender que a morte, a perda momentânia, faz parte da vida. Nos faz acordar para as verdadeiras realidades e darmos realmente valor aquilo que precisa ser valorizado. A morte é um limite definitivo - um lembrete de que precisamos estar cientes de que ela vai chegar e que nós devemos amar, amar muito, tirar proveito da vida, apreciar esta bela coisa chamada existência. A morte é também um recomeço, porque quando nós perdemos alguém especial, este fim, como a perda de qualquer situação da vida  é um momento de reinvenção. Embora triste, essa passagem nos reinventa, e essa reinvenção é uma oportunidade de voltarmos a experimentar a beleza verdadeira, formas e lugares invisíveis anteriormente. Passarmos a dar valor a simplicidade, vivermos o agora. 

E, finalmente, é claro, a morte é uma oportunidade para celebrar a vida de uma pessoa, e para ser grato a beleza que ela nos mostrou e as lembranças que deixou. 

Isso é apenas uma pequena maneira de lidar com essa perda momentânea que todos nós teremos que enfrentar mais cedo ou mais tarde. É a única certeza que temos. 

Em poucas palavras, tudo se resume a pensar melhor sobre a dor, para que possamos viver melhor, apesar dela. Acima de tudo, lembremo-nos que ela pode até parecer um fardo pesado demais, mas a única cura é viver bem. 

Dignifiquemos a vida. Não paremos de amar nunca e valorizemos o amor em vida, porque a dor que quem não demostra em vida aquilo que sente, torna essa dor insuportável. 

Vamos continuar a crescer e vivenciar a vida em sua plenitude, mesmo com as nossas feridas. Vamos vagarosamente cicatrizando-as, pois se existe uma coisa que quanto nós mais dermos mais nós temos/ganhamos é o amor. 

 

 





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